
I
Não que não doa o meu coração...
Dói!
Mas acostumou-se às partidas.
Não que não sangre, não sofra, não ame...
Ama!
Mas habituou-se às despedidas.
Ouvirá o teu adeus
Com a calma típica de quem há muito aguarda...
E não protestará!
Os dias tornar-se-ão longos e pesarosos
E as noites serão frias e deprimentes.
Mas, o meu coração
(com a calma típica de quem há muito aguarda)
Não protestará!
Dirás, então:
"Que frio, que frígido o teu coração!
Não sangra, não sofre, não ama!
Não tem feridas!"
Direi:
"Ama!
Mas habituou-se às despedidas..."
II
Se queres, vai...
Pois não ostento o que não tenho
E não agarro o que me escapa!
Se queres, fica...
Mas pousa livre no meu ombro,
Sem coleira e sem anilha.