terça-feira, 22 de maio de 2012

retro excesso


Ventos que soprais nos morros,
penteando forragens
e varrendo pétalas...
Quando fordes, levai convosco
meu bucolismo fora de época.

Sonhei


Sonhei que voava alto
entre brumas de esquecimento.
Acordei, e a cabeça tola
tinha as mesmas lembranças dentro...

domingo, 8 de abril de 2012

Poemas noturnos de despedida

I

Não que não doa o meu coração...
Dói!
Mas acostumou-se às partidas.

Não que não sangre, não sofra, não ame...
Ama!
Mas habituou-se às despedidas.

Ouvirá o teu adeus
Com a calma típica de quem há muito aguarda...
E não protestará!

Os dias tornar-se-ão longos e pesarosos
E as noites serão frias e deprimentes.
Mas, o meu coração
(com a calma típica de quem há muito aguarda)
Não protestará!

Dirás, então:
"Que frio, que frígido o teu coração!
Não sangra, não sofre, não ama!
Não tem feridas!"

Direi:
"Ama!
Mas habituou-se às despedidas..."


II

Se queres, vai...
Pois não ostento o que não tenho
E não agarro o que me escapa!

Se queres, fica...
Mas pousa livre no meu ombro,
Sem coleira e sem anilha.

domingo, 1 de abril de 2012

Das dores do pranto

Quem chora
Quer quem afague,
Quem abrace sem alarde...

Alguém sem pressa de ir embora,
Alguém que fique toda a tarde.

Quem chora tem um espaço
(vazio),
Um papel sem traço.
Tem três crianças doentes,
Famintas, de pés descalços.

Quem chora
Quer quem lhe diga:
- Vai que a tua dor fica...
Quer um ombro, um peito, um colo;
Quer um prato e uma marmita.

Quem chora
Quer, sem alarde,
Quem abrace e quem afague.
Quem chora
Quer um milagre!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Poema ordinário


Este poema, que ordinariamente vos apresento,
É deficiente: Em rima, ritmo e acento.
É um texto humilde de tristeza e de lamento;
Não há diferença se fica ou vai com o vento:

Ando inquieto,
Já em nada me apego.
Ando cego.
E tão vago me parece
O sonho que tive um dia:
A dor da vida passava, ia...
E, gloriosamente,
Meu jardim floria.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Gangorra


Isso
de não saber ser rio
(só saber ser fonte
ou um vasto mar),
eu bem sei que, cedo ou tarde,
ainda há de me matar...

Isso
de não saber ser safra
(só saber ser seca
ou inundação)
torna certo que irá morrer
de fome o meu coração.

Franqueza


Longe de mim, ser santo.
E só coisas boas
- da minha parte -
não lhe garanto.

Mas tento, exaustivamente,
não ser falso...
e com ninguém eu faço
o que o gato, hipocritamente,
faz ao rato.

Sempre fui assim:
Ou eu brinco
ou eu mato.